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Sexta-feira, 27 de Março de 2026 14:03

Violência contra a mulher: Polícia Militar reforça importância da denúncia e do acompanhamento às vítimas

Em entrevista ao Espaço Livre, militares destacam o crescimento dos casos, explicam como funciona o atendimento às vítimas e reforçam a importância da medida protetiva.

A violência contra a mulher segue como um dos principais desafios de segurança pública no Brasil. O tema foi destaque no programa Espaço Livre da Difusora FM. A jornalista Gabrièlle de Faria conversou com o Sargento Gustavo e a Cabo Rafaela, da Polícia Militar, para discutir formas de conscientização, prevenção e enfrentamento desse tipo de crime.

Durante a entrevista, os militares explicaram como funciona o protocolo de atendimento a partir de uma denúncia. Segundo eles, o primeiro passo ocorre com o acionamento da Polícia Militar, seja pelo telefone 190 ou por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180. Após o registro da ocorrência, a vítima passa a ser acompanhada por equipes especializadas, como a Patrulha de Proteção à Mulher.

Esse acompanhamento vai além do atendimento inicial. De acordo com os policiais, são realizadas visitas periódicas tanto à vítima quanto ao autor da violência, com o objetivo de monitorar a situação, orientar as partes envolvidas e evitar a reincidência. A adesão a esse acompanhamento, no entanto, depende da autorização da vítima, que pode optar por participar ou não do protocolo.

Outro ponto destacado foi a importância da medida protetiva de urgência. Embora não impeça totalmente novos episódios de violência, ela reduz significativamente as chances de reincidência e funciona como um instrumento legal de proteção. Para isso, é fundamental que a vítima dê continuidade ao processo após o registro do boletim de ocorrência, procurando a autoridade policial para formalizar o pedido.

A entrevista também abordou os diferentes tipos de violência previstos em lei. Além da agressão física, foram citadas formas muitas vezes invisíveis, como a violência psicológica, moral e patrimonial. Segundo os militares, a violência psicológica é uma das mais comuns e, ao mesmo tempo, uma das mais difíceis de ser identificada, já que envolve controle, ameaças, isolamento e manipulação da vítima.

Os profissionais chamaram atenção ainda para o chamado “ciclo da violência”, caracterizado por momentos de tensão, agressão e, posteriormente, uma fase de reconciliação, conhecida como “lua de mel”. Esse ciclo, segundo eles, tende a se repetir e, na maioria dos casos, evoluir para situações mais graves ao longo do tempo.

Dados recentes apontam para o aumento dos casos de violência doméstica nos últimos anos, realidade confirmada pela experiência dos próprios policiais no atendimento diário das ocorrências. Entre os fatores apontados estão questões culturais, como o machismo estrutural, e mudanças sociais, como o avanço da autonomia feminina, que ainda encontra resistência em determinados contextos.

Durante a conversa, também foram discutidos projetos de lei em tramitação que buscam ampliar a proteção às mulheres, como o uso de tornozeleira eletrônica em agressores e a criminalização da misoginia. Para os militares, toda medida que fortaleça a proteção da vítima e aumente a responsabilização do agressor é positiva.

Por fim, o principal recado deixado pelos entrevistados foi a importância da denúncia. Eles reforçaram que as vítimas não devem se calar e que a Polícia Militar está preparada para acolher, orientar e agir diante dessas situações.

Em casos de emergência, a orientação é acionar imediatamente o 190. Já a Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, funciona como canal de apoio, orientação e encaminhamento.

A conscientização, segundo os entrevistados, é um passo fundamental para romper o ciclo da violência e construir uma sociedade mais justa e segura para todos.

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