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Terça-feira, 24 de Março de 2026 15:14

Meteorologista alerta para avanço das mudanças climáticas e aumento de eventos extremos em entrevista à Difusora FM

Em entrevista especial pelo Dia Mundial da Meteorologia, Ruibran dos Reis destacou a evolução da ciência, os riscos do aquecimento global e a necessidade de ações urgentes para evitar cenários irreversíveis.

Em entrevista especial à Difusora FM, a repórter Gabrièlle de Faria conversou com o meteorologista Ruibran dos Reis, colaborador da emissora e especialista da Climatempo, sobre os principais desafios da meteorologia na atualidade, com destaque para as mudanças climáticas e os eventos extremos que vêm sendo registrados com maior frequência no Brasil e no mundo.

Com uma carreira consolidada na área, Ruibran relembrou sua trajetória profissional, iniciada na década de 1970, quando ingressou na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ao longo dos anos, atuou como pesquisador na Aeronáutica, desenvolvendo estudos inéditos, como a produção de chuvas artificiais e aplicações da meteorologia no lançamento de foguetes. Posteriormente, construiu uma longa carreira na CEMIG, onde trabalhou por 27 anos, com foco em hidrologia, monitoramento de reservatórios e sistemas de alerta para eventos climáticos.

Durante a entrevista, o meteorologista destacou a evolução da ciência ao longo das últimas décadas. Segundo ele, a meteorologia deixou de se restringir à previsão do tempo e passou a atuar em diversas áreas, como energia, agricultura e planejamento urbano. Ele também ressaltou o avanço tecnológico, com o uso de supercomputadores capazes de processar equações complexas e ampliar a precisão das previsões, que hoje podem alcançar até 15 dias com alto índice de acerto.

Um dos principais pontos abordados foi a intensificação das mudanças climáticas. Ruibran explicou que o aquecimento global é resultado direto da ação humana, especialmente da emissão de gases de efeito estufa desde a Revolução Industrial. Ele citou estudos científicos que já apontavam esse cenário há mais de um século e alertou que os impactos estão cada vez mais evidentes.

“Hoje temos ondas de calor mais intensas, chuvas mais fortes e eventos extremos acontecendo com maior frequência”, afirmou.

O meteorologista também chamou a atenção para o chamado “ponto de não retorno climático”. De acordo com ele, caso o aumento da temperatura global ultrapasse determinados limites, como cerca de 1,6°C, os efeitos podem se tornar irreversíveis por décadas, trazendo prejuízos ambientais, econômicos e sociais significativos para as próximas gerações.

Outro tema importante discutido foi o impacto das ilhas de calor nas cidades. Ruibran explicou que a redução de áreas verdes e o avanço da urbanização contribuem para o aumento das temperaturas nos centros urbanos. Como solução, ele defendeu o investimento em arborização, planejamento urbano adequado e políticas públicas voltadas à sustentabilidade.

Além disso, o especialista destacou a importância da atuação do poder público e da Defesa Civil na prevenção de desastres. Segundo ele, muitos municípios ainda não estão preparados para lidar com eventos extremos, seja por falta de planejamento ou de profissionais capacitados.

Ao final da entrevista, Ruibran reforçou a necessidade de mudanças de comportamento por parte da população, como a redução do uso de combustíveis fósseis e a adoção de alternativas mais sustentáveis, como o etanol.

O meteorologista também agradeceu o carinho dos ouvintes da Difusora FM, ressaltando sua longa parceria com a emissora, que já dura mais de 15 anos, e afirmou que pretende visitar a rádio em breve.

 

A entrevista foi realizada em alusão ao Dia Mundial da Meteorologia, celebrado em 23 de março, data que reforça a importância da ciência meteorológica para a compreensão do clima e para a tomada de decisões que impactam diretamente a vida da população.

 

Assista a entrevista completa:

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