Imigração italiana e suas raízes em Ouro Fino são destaque no programa Espaço Livre
Entrevista aborda o Dia Nacional do Imigrante Italiano, histórias marcantes e a forte influência cultural das famílias italianas no Sul de Minas.
O programa Espaço Livre, da Rádio Difusora FM 94.1, trouxe uma edição especial dedicada à história da imigração italiana no Brasil e, principalmente, em Ouro Fino (MG). A jornalista Gabrièlle de Faria recebeu a professora e historiadora Maria Romilda Gomes Rodrigues e o professor aposentado do Instituto Federal e presidente do Circolo Italo-Brasiliano Di Ouro Fino, Oberdan Everton Zerbinatti.
A entrevista teve como ponto de partida o Dia Nacional do Imigrante Italiano, celebrado em 21 de fevereiro, data que marca a chegada do navio La Sofia ao Brasil, em 1874, trazendo centenas de italianos em busca de novas oportunidades. Diferente de outros fluxos migratórios, a imigração italiana se destacou por ser predominantemente familiar, fator que contribuiu para a preservação de costumes, tradições e valores ao longo das gerações.
Durante a conversa, os convidados destacaram que o Sul de Minas e o leste paulista foram importantes destinos desses imigrantes, principalmente em razão da expansão da lavoura cafeeira, que demandava mão de obra após o processo de abolição da escravidão. Em Minas Gerais, a chegada em maior escala ocorreu a partir da década de 1890, com famílias que se estabeleceram tanto na zona rural quanto nos centros urbanos.
Além do trabalho nas lavouras, muitos italianos trouxeram ofícios e habilidades que contribuíram diretamente para o desenvolvimento das cidades. Profissões como alfaiates, relojoeiros, carpinteiros e comerciantes ajudaram a impulsionar a economia local e a formar a identidade cultural de municípios como Ouro Fino.
A entrevista também resgatou histórias pouco conhecidas da cidade, como a existência de uma escola italiana, a Dante Alighieri, que ensinava tanto o idioma italiano quanto o português, além da presença de um consulado e de espaços tradicionais de convivência da comunidade italiana. Outro destaque foi o papel das associações, como a Sociedade Italiana de Mútuo Socorro e, mais recentemente, o Circolo Italiano, fundado em 1997, que segue atuando na preservação da cultura e na promoção de eventos.
Os entrevistados ainda abordaram momentos marcantes e difíceis vividos pelos imigrantes e seus descendentes, como as perseguições durante a Segunda Guerra Mundial, quando bens foram confiscados e famílias enfrentaram situações de preconceito e instabilidade.
Um dos pontos mais enfatizados foi a forte ligação familiar, considerada uma das principais características herdadas da cultura italiana. Reuniões em família, tradições gastronômicas, religiosidade e o hábito de manter vivas as histórias dos antepassados são elementos que permanecem presentes até hoje.
Outro aspecto relevante discutido foi o interesse crescente de descendentes em resgatar suas origens, seja por meio da busca por cidadania italiana, seja pelo desejo de conhecer a história da própria família. Nesse contexto, iniciativas como o projeto do “Caminho do Imigrante Italiano” surgem como alternativas para valorizar essa herança e fomentar o turismo histórico-cultural na região.
Ao final, a professora Romilda destacou a importância de registrar e compartilhar essas histórias, sugerindo inclusive a criação de espaços para que moradores contem a trajetória de suas famílias. Segundo ela, preservar a memória é essencial para que as futuras gerações compreendam suas origens e valorizem a diversidade cultural que formou a cidade.
A entrevista reforça que a presença italiana em Ouro Fino vai muito além dos sobrenomes: ela está presente nos costumes, na forma de viver e na identidade do povo, sendo parte fundamental da história e do desenvolvimento do município.
Clique abaixo e assista a entrevista completa: