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Terça-feira, 21 de Julho de 2026 13:50

Jornalista e devoto lança livro inspirado em encontro histórico entre a Beata Nhá Chica e um cientista, em Inconfidentes/MG...

Livro inspirado em encontro histórico entre a Beata Nhá Chica e um cientista

Crédito: Saulo Costa

Cláudio:O jornalismo da Radio Difusora FM 94.1 entrevista hoje o jornalista José Valmei Bueno, natural de Inconfidentes. Ele é servidor do IF Sul de Minas e também licenciado em Filosofia, Cultura e Conformação em Teologia. Ele é um dos fundadores do Caminho de Nhá Chica, rota de peregrinação que divulga a vida, a espiritualidade e o legado da Beata Mineira.

Ele lançou recentemente o livro Nhá Chica, dia ensolarado. Valmei Bueno explica o que o levou a escrever o livro sobre Nhá Chica e o foco na relação fé e ciência. 

Valmei:Bom dia, Cláudio, bom dia aos ouvintes da Radio Difusora de Ouro Fino.

O que me levou a escrever esse livro foi a tentativa, o desafio de dar resposta a uma pergunta apresentada com muita frequência pelos peregrinos, tanto do caminho da fé, quanto do caminho de Nhá Chica, que passam pela capelinha dedicada a ela no bairro Romas, aqui em Inconfidentes/MG. Quem é Nhá Chica? E na tentativa dar respostas fundamentadas na história, fundamentadas na ciência, fundamentadas naquilo que de fato foi essa mulher, isso me levou a uma pesquisa e essa pesquisa histórica sobre quem é Francisca de Paula de Jesus, mais conhecida na igreja católica como Nhá Chica, me fez escrever esse livro para apresentar aos devotos, apresentar aos peregrinos, apresentar às pessoas que gostam de literatura, que gostam de história, uma resposta mais esclarecida sobre a personalidade dessa mulher, que é encantadora, as pessoas que conhecem Nhá Chica se encantam pela história dessa mulher, dada a simplicidade com que ela viveu, a acolhida que ela apresentava a todas as pessoas que iam até a casa dela, em Baependi as portas da casinha dela, sempre aberta para todas as pessoas, sem discriminação, tanto cientistas, quanto pessoas analfabetas, ricos e pobres, todas eram acolhidas por Nhá Chica. E você me pergunta também por que o foco entre o diálogo sobre fé e razão? Exatamente porque em Nhá Chica existe uma síntese da pluralidade e da diversidade que era acolhida por ela.

Cláudio:Valmei, como foi sua imersão na vida do cientista e de Nhá Chica para extrair todo o contexto desse livro?

 Valmei:Eu comecei a pesquisar, tanto bibliografias em bibliotecas, livros, como também pela internet, e eu descobri a existência de um livro chamado Caxambu. Esse livro foi escrito em 1893 pelo cientista que é personagem desse livro, Dr. Henrique Alexandre Monat. Ele veio até a cidade de Caxambu, que naquela época era distrito de Baependi, e ali ele trouxe um grupo de pacientes do Rio de Janeiro para fazerem tratamento nas águas termais de Caxambu.

Ele ouviu falar da Beata Nhá Chica e ele ficou muito intrigado com as histórias que ele ouviu, e por isso ele foi até a cidade de Baependi para se encontrar pessoalmente com Francisca de Paula de Jesus. Ele passou o dia todo com a Beata entrevistando, e todo o capítulo desse livro ele dedica a esse encontro que ele teve com a Beata Nhá Chica, e inclusive foi ele o autor daquela única fotografia que existe da Beata Nhá Chica e que ilustra a história dela, que é a figura da Beata sentada numa cadeira, segurando o guarda-chuva. Uma figura, sim, bastante conhecida por todos os devotos.

E a partir da leitura do capítulo desse livro Caxambu, eu comecei então a entrar na história também sobre quem foi Dr. Henrique Alexandre Monat. Foi então que eu descobri que ele foi formado por uma escola européia muito reconhecida na época, o Lycée Bonaparte de Paris, e também exerceu a medicina tanto na cidade de Salvador, ele era natural de Salvador, quanto também na sede do Brasil daquela época, na capital do Brasil da época, tanto do Império quanto também depois na República. E foi um processo muito prazeroso de tentar imaginar como foi o encontro entre aquele cientista com a cultura da racionalidade muito forte, da objetividade no resultado das suas pesquisas, com uma mulher ligada ao universo religioso.

Ela era sensível, tanto é que ela deixou poesias religiosas escritas. 

Cláudio:O acervo histórico e religioso de Minas Gerais é gigantesco e Nhá Chica faz parte disso. Você participou da criação do Caminho de Nhá Chica. Você se vê mais como um devoto ou um historiador? 

Valmei: Cláudio, nesse processo eu me vejo como alguém que admira muito a história de vida de Francisca de Paula de Jesus, porque ela foi uma mulher que deixou um legado pela simplicidade, pela escolha que ela fez de viver com humildade e acolhendo as pessoas. Uma mulher extremamente sábia. Ela deixou um legado porque ela foi muito honesta com ela mesma.

Ela seguiu aquilo que o coração dela pedia e ela sempre dizia que era obediente aos mandados de Nossa Senhora da Conceição. Essa era a fé que ela tinha. Tanto é que ela nutria uma espiritualidade cotidiana.

Todos os dias ela rezava no oratório que ela mantinha na casinha dela, dedicada à Nossa Senhora da Conceição, que era uma imagenzinha que percorreu toda a história da vida dela, não é? E o interessante, Claudio, é que Nhá Chica, um elemento muito importante, é que ela dedicava as sextas-feiras para a oração. Ela não recebia ninguém na casa dela nas sextas-feiras. Então, essa admiração por Nhá Chica é também como devoto me levou a buscar histórias, histórias reais, fundamentadas, registradas.

Então, esse processo eu me vejo como devoto, me vejo como alguém que busca histórias verdadeiras a respeito de quem foi ela para esclarecer quem foi essa personagem. 

Cláudio:E qual é a mensagem central que seu livro quer trazer aos leitores? 

Valmei:Cláudio, uma das mensagens que eu gostaria de transmitir com a escrita do livro Nhá Chica de Ensolarado é que Francisca de Paula de Jesus foi luz e iluminou as pessoas que encontravam com ela no dia a dia. Para as pessoas que estavam perdidas, ela mostrava um caminho.

Nhá Chica, ela buscou, exercitou ser uma pessoa diferente pela espiritualidade que ela alimentava no dia a dia. Ela buscou exercitar, tirar do coração os sentimentos ruins, que fazem parte da natureza humana, retirar o ódio e colocar misericórdia, porque ser diferente no mundo é uma decisão, mas uma decisão que exige exercício e trabalho consigo mesmo. E foi isso que Nhá Chica fez.

Então, Nhá Chica foi luz, mas ela foi luz porque ela se alimentava da luz presente nos evangelhos. É essa a mensagem que eu desejo deixar para o leitor do livro Nhá Chica de Ensolarado.

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