Senso crítico e arte contra a repressão militar!

Senso crítico e arte contra a repressão militar!
Por Welker Magalhães
"Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague" Chico Buarque/Deus lhe Pague
A classe artística e de intelectuais brasileiros do século XX, entrou para a história do Brasil, pois foi uma geração que lutou bravamente contra a tenebrosa repressão militar. Este período ficou conhecido como "anos de chumbo".
Dentre esses artistas e intelectuais, podemos citar com ênfase Chico Buarque de Hollanda. Chico Buarque deu início a sua carreira musical em 1966, quando lançou o seu álbum de estreia "Chico Buarque". Os primeiros álbuns do artista foram focados na MPB tradicional e na Bossa Nova. Durante a primeira fase da carreira de Chico Buarque, podemos citar algumas canções que se tornaram grandes clássicos como, por exemplo, "A Banda", "Pedro Pedreiro", "Lua Cheia" e "Quem te viu, Quem te vê".
FOTO: DIVULGAÇÃO
Mas Chico Buarque começou a sofrer uma grande perseguição e censura por parte dos militares, assim como, outros artistas e intelectuais da época. Por conta desse "cala boca" imposto pelo regine militar, Chico Buarque começou a escrever letras com críticas ao regime. Até que em 1971 é lançado o álbum "Construção", um verdadeiro marco na carreira do artista e também da MPB.
CHICO BUARQUE EM MANIFESTAÇÃO CONTRA O REGIME MILITAR.
Construção é um álbum raivoso e elegante, onde Chico Buarque faz críticas aos militares, críticas inteligentes, fortes....
"Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça que a gente tem que tossir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague" - Chico Buarque/Construção
CHICO BUARQUE-CONSTRUÇÃO/PHILIPS-1971
O que dizer da bela "Cordão", onde Chico faz um desabafo em forma de poesia:
"Ninguém
Ninguém vai me acorrentar
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir
Ninguém
Ninguém vai me ver sofrer
Ninguém vai me surpreender
Na noite da solidão
Pois quem
Tiver nada pra perder
Vai formar comigo o imenso cordão" - Chico Buarque/Cordão
CHICO BUARQUE-CORDÃO/PHILIPS-1971
Mas o álbum também traz a tradicional elegância romântica do artista em músicas como: "Cotidiano", "Valsinha" e "Olha Maria". Construção representou uma luz nas trevas da ditadura, acendeu uma luz na mente das pessoas e ajudou a redemocratizar o país através da poesia e do pensamento crítico. Um disco essencial para entender a MPB e a história recente do Brasil.
CHICO BUARQUE E A BELA COTIDIANO/PHILIPS-1971
Faixas
1 - "Deus Lhe Pague"
2 - "Cotidiano"
3 - "Desalento" (Chico Buarque/Vinicius de Moraes)
4 - "Construção"
5 - "Cordão"
6 - "Olha Maria (Amparo)" (Buarque/Tom Jobim/Vinicius de Moraes)
7 - "Samba de Orly" (Buarque/Vinicius de Moraes/Toquinho)
8 - "Valsinha"
9 - "Minha História” (Gesù Bambino) (Lucio Dalla/Paola Pallotino, versão Chico Buarque) 10 - "Acalanto"
Gravadora: Phonogram/Philips
Produção: Roberto Menescal
Duração: 31min10s
Convidados:
MPB4: vozes em "Deus Lhe Pague", "Desalento", "Construção", "Samba de Orly" e "Minha História"
Tom Jobim: piano em "Olha Maria (Amparo)"
Trio Mocotó: percussão em "Samba de Orly"
Toquinho: violão em "Samba de Orly"
CHICO BUARQUE EM PROTESTO DURANTE OS "ANOS DE CHUMBO" DA DITADURA MILITAR. DIVULGAÇÃO